Avina
Cuidades Sustentables

Mudanças Climáticas e Incidência Pública


As mudanças climáticas constituem um novo marco de referência para interpretar a realidade de forma mais sistemática e evidenciam a necessidade de atualizar nossas formas de desenvolvimento e governabilidade e de redefinir nossos comportamentos individual e coletivamente. Nesse contexto de desafios comuns surgem novas oportunidades. A oportunidade específica que a AVINA e seus parceiros visualizam é a criação de condições para incidir nas políticas públicas e nas regras de mercados sobre as mudanças climáticas nos níveis local, nacional e regional, além de posicionar o papel da América Latina nas negociações internacionais que estão ocorrendo em torno desse grande desafio que o planeta enfrenta.

 

Para a América Latina, as mudanças climáticas são altamente relevantes, porém o cenário descrito na agenda e nas políticas públicas é bastante diferente entre os países da região. O Brasil está posicionado no debate global por sua relação com a Amazônia e seu papel pioneiro em matéria de biocombustíveis; a Costa Rica possui a proposta mais ambiciosa formulada por um país ao estabelecer para si a meta de tornar-se carbono neutra até 2021; o México e o Chile são países proativos na incorporação de políticas que regulamentam suas emissões de gases de efeito estufa, respondendo aos requisitos determinados pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE); a Bolívia tem uma proposta alternativa aos debates existentes, na qual expõe a necessidade de responder à demanda por “justiça climática”, enquanto os outros países adotam posições pouco consistentes. Ao mesmo tempo, de modo geral, a liderança latino-americana, tanto da sociedade civil como do empresariado, é caracterizada por um baixo nível de conscientização sobre o problema e sua relação com a economia e a política. Nos próximos anos, esse cenário terá que mudar se a região quiser se preparar para o futuro e incidir no acordo internacional de interesses sobre as mudanças climáticas.

 

Responsabilidade Social Empresarial


O surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável nos anos 1990 obrigou muitas empresas a reformular sua relação com a sociedade e o meio ambiente e a avançar além do enfoque convencional que até então se limitava no trato com os acionistas, empregados e órgãos do governo. Esse movimento empresarial, que nasceu na Cúpula da Terra de 1992, começou a mudar a cultura empresarial na década seguinte. Desde 1998, a AVINA promove e incentiva o movimento de responsabilidade social empresarial chamado SER na América Latina. Começamos este trabalho no Brasil, dando apoio ao Instituto Ethos e a Conselhos de SER das federações de indústrias dos estados, mas não demorou muito para a promoção deste movimento tornar-se uma prioridade da AVINA no continente.

 

Em 2010, depois de uma década de contribuição a este movimento, a AVINA realizou um estudo em toda a América Latina para sistematizar as aprendizagens. Durante os últimos dez anos, o conceito se instalou na sociedade: o discurso das empresas mudou bastante, o conceito de responsabilidade social empresarial é ensinado nas escolas de administração da região, há várias ferramentas e indicadores disponíveis e existem centenas de institutos e associações dedicados ao tema. Entretanto, o que mudou na prática empresarial e nas estratégias de negócios? As empresas são mais responsáveis? Os resultados deste estudo serão publicados em 2011, mas desde já a equipe de SER da AVINA está trabalhando com todas as unidades de nossa organização para incorporar as aprendizagens dessa rica experiência às nossas estratégias e operações e para promover a participação do setor empresarial em outras agendas de transformação social.

 

Grande Chaco Americano


O Grande Chaco Americano é o segundo bioma mais extenso da América Latina depois da Amazônia, ocupando cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados dos territórios da Argentina, Bolívia, Paraguai e uma pequena parte do Brasil. É uma região de rica diversidade social e ambiental. Apesar das peculiaridades dos países em que está localizada, a região chaquenha enfrenta uma série de problemas e desafios, como marginalização em relação aos centros de poder político, empobrecimento generalizado de sua população rural, processo crescente de urbanização da população rural e indígena, modelo predador de exploração de seus recursos naturais, entre outros.

 

Durante mais de dez anos, a AVINA trabalhou no Grande Chaco com uma visão estratégica voltada para o fortalecimento do capital social chaquenho em cada país e para a promoção de iniciativas de articulação transfronteiriça, com uma visão de sustentabilidade ambiental, econômica, social e cultural. Com esse objetivo, a AVINA estabeleceu parcerias com organizações que buscam promover a inclusão, a justiça e a qualidade de vida para todos os habitantes da região.

 

Em 2010, a AVINA trabalhou com uma ampla rede de parceiros, identificando e potencializando convergências entre diversos atores alinhados na construção de uma visão compartilhada para essa rica e valiosa região. Muitos concordam com a necessidade de enfatizar, tanto local como globalmente, o valor do Grande Chaco Americano como um dos maiores biomas florestados do continente, valor ao qual conferimos importância ainda maior se considerarmos sua biodiversidade e os modelos sustentáveis e inclusivos de produção que nele se desenvolvem. A AVINA apoia essa convergência proativa dos interesses dos atores chaquenhos e une-se a eles na busca de mudanças que contribuam para ampliar essa visão.

Geleira Perito Moreno da Patagônia Argentina. A América Latina contribui com 12% das emissões globais de gases de efeito estufa e possui 8% da população mundial. Sua contribuição é comparativamente maior do que outras regiões do planeta.

 

 

Algumas realizações de nossos parceiros em 2010

América Latina destaca-se em uma série de eventos paralelos durante a COP16 em Cancún

A AVINA articulou-se com parceiros globais e latino-americanos para organizar uma série de eventos em torno da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP16) em Cancún, no México. Entre os espaços organizados durante o evento destacaram-se um “Side Event” para apresentar experiências inovadoras na América Latina, o III AVINA Global Workshop, como espaço de articulação de parceiros da Rio+20, e um webcast, onde líderes latino-americanos de influência mundial nas mudanças climáticas compartilharam suas análises e perspectivas. Esses eventos contaram com a participação de líderes internacionalmente reconhecidos, como o Diretor Executivo da UNEP Achim Steiner, a ex-senadora, ex-ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência da República do Brasil, Marina Silva; a Presidente da WWF Internacional, Yolanda Kakabadse; Leonardo Boff, Fábio Feldmann, Manuel Rodríguez Becerra e Oded Grajew, entre outros importantes parceiros latino-americanos. A cobertura multimídia está disponível na internet: www.avinacop16.org

 

Primeiro Encontro Mundial do Grande Chaco Americano

De 5 a 7 de outubro de 2010, foi realizado em Assunção, no Paraguai, o Encontro Mundial do Grande Chaco Americano, organizado pela Redes Chaco com o apoio da AVINA. O evento, que convidou mais de 700 delegados dos quatro países (Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai) que formam o Grande Chaco Americano, teve como objetivo o diálogo e a identificação de agendas de ação comuns entre atores diferentes, mas que convergem no desafio de fortalecer a sustentabilidade ambiental, a justiça social e um maior posicionamento global da região. Esse encontro, que é um marco na construção de uma visão compartilhada da região, convidou líderes de organizações indígenas e rurais, setores empresariais, programas e organismos governamentais, agências de cooperação e diversas expressões da sociedade civil. Alguns resultados já se evidenciam na forma de novos espaços de articulação transfronteiriça, como, por exemplo, o de mulheres rurais e dos povos indígenas, o intercâmbio de experiências produtivas sustentáveis e inovadoras em cenários prováveis de escassez de alimentos, a implementação de ações de incidência em temas ambientais e uma agenda ativa de posicionamento da região em diferentes fóruns globais.

 

Monitoramento por satélite no combate ao desmatamento

Os relatórios de monitoramento por satélite de uso do solo, incêndios e inundações no Grande Chaco Americano, desenvolvidos pela organização Guyrá Paraguay em parceria com a AVINA, estão sendo utilizados pelas autoridades ambientais do Paraguai para controlar e evitar, de maneira efetiva, desmatamentos não autorizados. A AVINA apoiou, com recursos e contatos, a ampliação territorial do monitoramento que já era realizado pela Guyrá no Paraguai para o resto do Grande Chaco Americano, permitindo assim a continuidade, periodicidade e maior impacto desse monitoramento. Esses relatórios serviram também para o posicionamento da questão florestal do Grande Chaco Americano nos espaços de incidência regional e global.

 

Chaco Boliviano. Durante mais de dez anos a AVINA trabalhou no Grande Chaco com uma visão estratégica voltada ao fortalecimento do capital social chaquenho em cada país e à promoção de iniciativas de articulação transfronteiriça com uma visão de sustentabilidade ambiental, econômica, social e cultural.